No aprender a matemática, várias são as experiências de sucesso ou de fracasso, em que de um lado há aqueles que conseguem entender e aprender os conteúdos matemáticos, e de outro há aqueles que se perdem, ficam confusos e a defasagem vai sendo uma realidade cada vez mais constante, pois entre o que é ensinado e o que o aluno consegue assimilar e acomodar há diversas lacunas que precisam ser preenchidas e revistas.
Assim, ao analisarmos o processo de aquisição da linguagem matemática, encontramos vários fatores que são determinantes para a construção do saber, dentre eles o método de ensino. Sabe-se que aprender matemática é algo complexo, intervir e ensinar o aluno para que adquira este conhecimento também não é uma tarefa fácil, assim, como fazer com que haja a construção do conceito de número sem que se recorra à memorização e a mecanismos automáticos?
As crianças precisam de muito mais que métodos técnicos pouco espontâneos centrados apenas no resultado, mas de um ensino que tenha um olhar para o como e de que maneira a criança aprende.
Entende-se que jogos são ferramentas importantes para a promoção de experiências que auxiliam na compreensão e na aquisição dos conteúdos matemáticos, fazendo com que a criança possa explorar e se apropriar de novos conceitos, trabalhar suas dificuldades e por em ação seu raciocínio. A partir do jogo, a criança pode demonstrar seu nível de estágio cognitivo e pode construir conhecimentos.
Diante disto, deve-se levar em conta que o ensino da matemática envolve inclusão de classes, ordem, espaço e tempo, sobretudo que a questão do número não se ensina, se constrói. A criança vai construindo o número de acordo com as relações numéricas. É importante que o ensino não seja focado em métodos repetitivos sem dar um sentido ao conteúdo matemático ensinado, mas, aliar ao contexto de sua aplicação e desenvolver na criança a capacidade de compreender e interpretar os problemas que se colocam.
Na construção do número é importante ir além das aparências verbais, pois estas são insuficientes para a aquisição dos conteúdos matemáticos, uma criança que sabe contar, por exemplo, não significa que tenha incorporado os conceitos, pois pode ser apenas uma repetição e memorização do que vivencia no seu dia-a-dia, muitos acreditam que ao saber contar, a criança já é capaz de realizar operações fundamentais como a adição.
Isto é importante na medida em que se vê praticas de professores que diante de um exercício ao ver a resposta do aluno, acreditam que este conseguiu adquirir os conceitos introduzidos, mas não é verídico. Somente quando a criança percebe que o número compõe elementos que podem ser agrupados de diversas maneiras é que vai se consolidando tais conceitos.
A ausência ou as dificuldades com a noção de número impedem a compreensão das relações numéricas, assim como seu domínio pode facilitar. Isso porque a evolução e a progressão para conteúdos mais complexos dependem exatamente do agrupamento de classes e relações, assim como operações de inclusão de classes e conservação.
Para que a aprendizagem seja efetiva, é preciso olhar em que momento do seu desenvolvimento a criança está, o que sabe e como sabe, e os diferentes modos de aprender do aluno, pois há muitos casos em que as experiências de escolarização pouco contribuíram para o desenvolvimento de relações numéricas, a classificação e a seriação. Ao se entender os diferentes modos de aprender, começa-se a desvelar um processo da relação da criança com a matemática, podendo estabelecer um elo com o saber matemático.
Assim, o lúdico por meio dos jogos é algo necessário para o aprender, visto que proporciona diversas maneiras de utilizar estratégias e linguagens que facilitem o acesso ao conteúdo a ser explorado.

Texto por: Flavia Fauquet – CRP 06/104402