Muitas vezes o adulto tem expectativas de como deve ser o comportamento da criança, assim como sua forma de ser e estar, esperando que ela seja um mini adulto, que compreenda regras não ditas, que siga um script, e quando a criança não segue o padrão imposto, o adulto se frustra.
A criança frustra, não por malicia ou desobediência proposital, mas porque ela tem a habilidade de viver a espontaneidade, de sair da rigidez, de fazer o inesperado, porque ela está em desenvolvimento, ela experimenta, testa limites, descobre o mundo com olhos curiosos e mãos dispostas a explorar.
O adulto que se frustra, pode estar revelando mais de si mesmo, de como viveu sua infância, em que não se permitiu ser, que teve de se enquadrar num script, do quanto se acostumou com a rigidez, com a previsibilidade, com o não questionamento, que perdeu a capacidade de se maravilhar com o lúdico.
Lidar com a criança não é molda-la a nossa própria vontade, nossa imagem, fazendo somente o que queremos, mas é ouvir, é guiar e descobrir quem ela é, é aceitar que trará o inesperado, que tirará nossas certezas, que nos fará repensar o absoluto.
Nesse processo de lidar com as expectativas e frustrações, que os adultos possam reencontrar o lúdico em si, a leveza, a flexibilidade, a espontaneidade e alegria de viver fora do script e assim, ajudar as crianças a terem uma infância mais saudável.

Texto por: Flavia Fauquet