Psicóloga

Cultivando a colaboração em crianças. 

Certa vez ouvi a seguinte frase: “O adulto precisa ser âncora e não combustível para modelar o comportamento da criança”, e é com essa frase que gostaria de falar sobre nosso papel como adultos em ajudar as crianças a serem cooperativas e não competitivas. 

As crianças desde muito cedo são induzidas a competitividade, quem tem o melhor estojo, a melhor mochila, a melhor lancheira, o melhor tênis, o melhor penteado e etc. A competição está em toda a parte, seja na família, na escola, na igreja. 

Muitas vezes, fornecemos para as crianças atividades que ao invés de promover a cooperação, gera um alto nível de competição, resultando em ações individualistas e competitivas, quem não se lembra da dança da cadeira ou do ovo na colher? 

Existem atividades em que a criança pode aprender que seu valor está em ser a primeira, a melhor, que só vale quando ganha. Assim, a criança se foca no resultado ao invés de olhar para o aprendizado, para o esforço, para os sentimentos, a ajuda e cooperação.

A transição de uma mentalidade competitiva para colaborativa não é fácil, nem acontece da noite para o dia, mas se queremos que as crianças possam viver num mundo menos individualista e competitivo, precisamos ajudá-las a descobrirem a alegria e práticas de como viver em uma sociedade colaborativa. Por isso, jogos cooperativos podem ser ferramentas valiosas para ensinar habilidades de trabalho em equipe, em que o sucesso depende da participação de todos, isso envolve construir algo juntos, criar histórias, fazer quebra-cabeça juntos, por exemplo.

As crianças também aprendem na observação dos adultos ao seu redor, então nossas atitudes são formas de reforçar ou inibir a competitividade ou cooperação.  Como lidamos com as perdas e ganhos? Somos do tipo que zoa o perdedor, ou somos do tipo que trabalha o impacto da perda? 

Vivemos num mundo que não costuma validar o trabalho cooperativo, a máxima de hoje é que o sucesso ou fracasso pessoal depende das habilidades e dos esforços individuais, assim, ficamos obcecados por vencer a todo custo, a fazer o máximo para atingir o nosso potencial. 

Só que quando essa competitividade passa a ser excessiva pode ser prejudicial, ela pode alterar o senso de identidade, criar ansiedade, prejudicar relacionamentos e limitar o aprendizado. Ao invés de olharmos para quem ganhou, quem foi o primeiro, quem fez melhor, podemos valorizar quem cooperou, quem se esforçou, quem conseguiu trabalhar junto, e isso ajudará nossas crianças a entenderem que práticas cooperativas são importantes. 

Finalizo com a ideia de que é importante que reconheçamos momentos de cooperação, quando a criança ajuda outra, quando um grupo consegue fazer algo junto, isso reforça a ideia de que a colaboração é desejável, por isso, celebrar os sucessos coletivos, mostrar a vulnerabilidade, são formas que elas podem aprender para construir um ambiente cada vez mais colaborativo.

Por: Flavia Fauquet

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